Desfoco os olhos desta realidade numa tentativa ilusória de que ela adquira a veracidade de outros tempos, mas ela insiste em me pesar a cada passar de um ridículo segundo. Saberemos afinal o que chega a ser real? o que chega a ser verídico? sincero? nosso?
Ou será isso ao final de uma história contada na mais bonita das conjugações, das palavras cobertas de sonhos,a realidade desfocada dos segundos que o tempo guarda e pinta de eternidade? Não vejo senão efemeridade nisso...
As paredes aqui, também elas cansadas da espera das cores que lhes prometemos oferecer, sentem o vazio que lhes cuspo no pesar da noite serrada que não te trás à rua para a qual corro vezes sem conta na esperança medíocre de que tu dobres aquela esquina, aparentemente impossível de malear. Ai se a pudesse desviar do meu caminho para te ver chegar!Para isso seria preciso que quisesses de facto chegar...
Esperei até a noite me confundir com ela, até o abandono e a perda me devorarem as entranhas.Foste e não olhaste para trás.Mas se te é tão fácil deixares-me no caminho passado dessa terra então para quê consumir o tempo construindo meticulosamente esperanças do que já tomou rumo? Que terra foi essa afinal? Foi? Não foi?
Pedi-te ao meu lado mas percebo agora que o entorpe não é a minha falta de disposição para tal mas sim a tua, que tão depressa como te ocupas-te da minha vida, a deixarás...
Estas são as linhas de um mundo contrário a si mesmo, que vou desfocando para melhor ver, onde desvaneces lá bem ao fundo, porque amanhã? amanhã entregarás tudo à insignificância vã de uma crença, porque também não virás...estarei à espera para desfocar de vez o meu mundo numa outra direcção...
As paredes? colori-las-ei de pedaços quebrados da minha solidão que nunca teve senão destinada a ser sozinha...
domingo, 19 de setembro de 2010
domingo, 25 de julho de 2010
Só isto?!
Piso este chão, piso este chão tão diferente do meu...
Piso a gravidade para de mim me aliviar...
Escorro os cabelos ao vento nesta cidade de sons e de luzes, neste Tejo que nas suas margens me eleva, e com o olhar posto no horizonte dessas correntes sigo e afasto-me e desloco-me mas a gravidade que piso afinal só me pesa e me silencia na escuridão que trago que carrego e que deponho porque me sinto "Só isto?" .
Piso a gravidade para de mim me aliviar...
Escorro os cabelos ao vento nesta cidade de sons e de luzes, neste Tejo que nas suas margens me eleva, e com o olhar posto no horizonte dessas correntes sigo e afasto-me e desloco-me mas a gravidade que piso afinal só me pesa e me silencia na escuridão que trago que carrego e que deponho porque me sinto "Só isto?" .
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Grades
Ainda agora te quis falar mas não pude, tenho essas grades em meu redor, grades que sei que não te mantêm do lado de fora, apenas me cercam...
"Neste caso o problema é que posso não ver bem. E o que eu quero nesta situação é ver bem..."
-Sou complicada, disse.
"Aproxima-te um pouco mais, não penses nas grades!"
-Ainda não te percebo bem, disseste.
"Sou para ti uma silhueta. Um corpo que se movimenta com esforço. Há pouca luz aqui. Há sempre pouca luz aqui. Não me consegues ver bem, não percebes bem como sou (...)"
"Neste caso o problema é que posso não ver bem. E o que eu quero nesta situação é ver bem..."
-Sou complicada, disse.
"Aproxima-te um pouco mais, não penses nas grades!"
-Ainda não te percebo bem, disseste.
"Sou para ti uma silhueta. Um corpo que se movimenta com esforço. Há pouca luz aqui. Há sempre pouca luz aqui. Não me consegues ver bem, não percebes bem como sou (...)"
domingo, 6 de junho de 2010
Como quem abdica...
" E, como a coroa e o manto régios nunca são tão grandes como quando o Rei que parte os deixa no chão, deponho sobre os mosaicos das antecâmaras todos os meus triunfos do tédio e do sonho, subo a escadaria com a única nobreza de ver...
"Livro do Desassossego" - Fernando Pessoa
"Livro do Desassossego" - Fernando Pessoa
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Uma calma qualquer...
Porque é preciso sabermo-nos afastar quando o tempo não é o nosso...
Porque há que saber assumir a responsabilidade dos mundos afinal por nós inventados na imaginação de uma realidade alternativa à vivida...
Porque amo a vida nos seus mais míseros detalhes e com eles construirei o meu diferente mundo. E como seria um mundo percepcionado de maneira diferente?!
Estou bem...
Porque afinal tenho a esperança de uma vida pela frente e de todos os que a ela se quiserem juntar...
Porque tenho tudo...Tenho muito mais para dar!
Porque a vida não é de todo um tempo de espera para o qual não existe sentido algum...
Porque o tempo passa, e embora o ignoremos, passa, passa e leva consigo os momentos não vividos, os sonhos que nunca passaram disso mesmo, as pessoas com quem por comodismo, quem sabe, não criámos nada, as perguntas que não fizemos e o sentido que não demos ao que somos ou ao que disso podemos fazer...
Uma calma qualquer...
Será melhor mesmo viver seguindo "uma calma qualquer"?!
Porque há que saber assumir a responsabilidade dos mundos afinal por nós inventados na imaginação de uma realidade alternativa à vivida...
Porque amo a vida nos seus mais míseros detalhes e com eles construirei o meu diferente mundo. E como seria um mundo percepcionado de maneira diferente?!
Estou bem...
Porque afinal tenho a esperança de uma vida pela frente e de todos os que a ela se quiserem juntar...
Porque tenho tudo...Tenho muito mais para dar!
Porque a vida não é de todo um tempo de espera para o qual não existe sentido algum...
Porque o tempo passa, e embora o ignoremos, passa, passa e leva consigo os momentos não vividos, os sonhos que nunca passaram disso mesmo, as pessoas com quem por comodismo, quem sabe, não criámos nada, as perguntas que não fizemos e o sentido que não demos ao que somos ou ao que disso podemos fazer...
Uma calma qualquer...
Será melhor mesmo viver seguindo "uma calma qualquer"?!
terça-feira, 1 de junho de 2010
Qual é o segredo?
Tenho tentado, tenho feito um esforço para ser melhor, para me superar e realmente acabo por fazê-lo sem me dar conta. Mas há uma parte de mim que para sempre estará em falta...Tenho o corpo negro, negro de indiferença, mutilado do que nunca chegou a mim...
Porque as pessoas não mudam, apenas arranjam diferentes formas de disfarçar isso, crescem...acumulam idade mas ficam estagnadas!
Apenas quero de novo ser como as crianças que hoje à mihna volta no jardim brincavam, aqueles pequenos seres sociais activos na sua forma tão peculiar, onde tudo se apresenta num pasmo de eterna novidade, para quem o mais pequeno pau no chão eleva castelos de sonho...
Qual é o segredo?
O segredo é a verdade que os Homens há muito perderam nas suas vidas de "crescidos" onde já não conseguem ver o valor das coisas sem as quantificarem, onde antes de se julgarem a si próprios já rotularam os outros, onde se deixou de ter tempo para sair da monótona rotina e conhecer o que quer que seja. Onde se esqueceu que apenas se pode exigir das pessoas aquilo que elas nos podem dar, que é o tempo que perdemos com as pessoas ou coisas que as tornam importantes e que somos eternamente responsáveis por aqueles a quem cativamos...
"-Agora vou-te contar o tal segredo. É muito simples: Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...
- O essencial é invisível para os olhos - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer..."
Porque as pessoas não mudam, apenas arranjam diferentes formas de disfarçar isso, crescem...acumulam idade mas ficam estagnadas!
Apenas quero de novo ser como as crianças que hoje à mihna volta no jardim brincavam, aqueles pequenos seres sociais activos na sua forma tão peculiar, onde tudo se apresenta num pasmo de eterna novidade, para quem o mais pequeno pau no chão eleva castelos de sonho...
Qual é o segredo?
O segredo é a verdade que os Homens há muito perderam nas suas vidas de "crescidos" onde já não conseguem ver o valor das coisas sem as quantificarem, onde antes de se julgarem a si próprios já rotularam os outros, onde se deixou de ter tempo para sair da monótona rotina e conhecer o que quer que seja. Onde se esqueceu que apenas se pode exigir das pessoas aquilo que elas nos podem dar, que é o tempo que perdemos com as pessoas ou coisas que as tornam importantes e que somos eternamente responsáveis por aqueles a quem cativamos...
"-Agora vou-te contar o tal segredo. É muito simples: Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...
- O essencial é invisível para os olhos - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer..."
domingo, 30 de maio de 2010
Tiros no escuro II
Impulsos são tiros no escuro de quem já não consegue conter o que antes de poder ser explicado ou vivido já vence em forma de uma inquietude a transbordar.
Impulsos são surtos de algo acima do possível de controlar, como uma natureza interior a revelar.
Impulsos são a sinceridade em expressão falhada, espelhada num reflexo que não revela da melhor forma o que de mais único e espontâneo carregamos a sós...
Impulsos numa tentativa de libertar pesos que dos contornos inimagináveis que adquirem se tornam impossíveis de acartar, num desespero de quem já não encontra como se expressar.
Impulsos quando o impasse nos envolve na sua paranóia e nos impede de seguir em frente.
Impulsos quando o silêncio se torna insuportável, quando pouco já se sente ter a perder, ainda que assim não seja por completo.
Impulsos que ou nos trazem o tudo ou o nada...
Impulsos de um amor há muito platónico.
Porque tu és inteiro e eu sou desfeita!
(...)
E que olhares são esses afinal?!
São a expressão dos impulsos contidos na transparência do que para mim és...
Impulsos são surtos de algo acima do possível de controlar, como uma natureza interior a revelar.
Impulsos são a sinceridade em expressão falhada, espelhada num reflexo que não revela da melhor forma o que de mais único e espontâneo carregamos a sós...
Impulsos numa tentativa de libertar pesos que dos contornos inimagináveis que adquirem se tornam impossíveis de acartar, num desespero de quem já não encontra como se expressar.
Impulsos quando o impasse nos envolve na sua paranóia e nos impede de seguir em frente.
Impulsos quando o silêncio se torna insuportável, quando pouco já se sente ter a perder, ainda que assim não seja por completo.
Impulsos que ou nos trazem o tudo ou o nada...
Impulsos de um amor há muito platónico.
Porque tu és inteiro e eu sou desfeita!
(...)
E que olhares são esses afinal?!
São a expressão dos impulsos contidos na transparência do que para mim és...
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