" E, como a coroa e o manto régios nunca são tão grandes como quando o Rei que parte os deixa no chão, deponho sobre os mosaicos das antecâmaras todos os meus triunfos do tédio e do sonho, subo a escadaria com a única nobreza de ver...
"Livro do Desassossego" - Fernando Pessoa
domingo, 6 de junho de 2010
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Uma calma qualquer...
Porque é preciso sabermo-nos afastar quando o tempo não é o nosso...
Porque há que saber assumir a responsabilidade dos mundos afinal por nós inventados na imaginação de uma realidade alternativa à vivida...
Porque amo a vida nos seus mais míseros detalhes e com eles construirei o meu diferente mundo. E como seria um mundo percepcionado de maneira diferente?!
Estou bem...
Porque afinal tenho a esperança de uma vida pela frente e de todos os que a ela se quiserem juntar...
Porque tenho tudo...Tenho muito mais para dar!
Porque a vida não é de todo um tempo de espera para o qual não existe sentido algum...
Porque o tempo passa, e embora o ignoremos, passa, passa e leva consigo os momentos não vividos, os sonhos que nunca passaram disso mesmo, as pessoas com quem por comodismo, quem sabe, não criámos nada, as perguntas que não fizemos e o sentido que não demos ao que somos ou ao que disso podemos fazer...
Uma calma qualquer...
Será melhor mesmo viver seguindo "uma calma qualquer"?!
Porque há que saber assumir a responsabilidade dos mundos afinal por nós inventados na imaginação de uma realidade alternativa à vivida...
Porque amo a vida nos seus mais míseros detalhes e com eles construirei o meu diferente mundo. E como seria um mundo percepcionado de maneira diferente?!
Estou bem...
Porque afinal tenho a esperança de uma vida pela frente e de todos os que a ela se quiserem juntar...
Porque tenho tudo...Tenho muito mais para dar!
Porque a vida não é de todo um tempo de espera para o qual não existe sentido algum...
Porque o tempo passa, e embora o ignoremos, passa, passa e leva consigo os momentos não vividos, os sonhos que nunca passaram disso mesmo, as pessoas com quem por comodismo, quem sabe, não criámos nada, as perguntas que não fizemos e o sentido que não demos ao que somos ou ao que disso podemos fazer...
Uma calma qualquer...
Será melhor mesmo viver seguindo "uma calma qualquer"?!
terça-feira, 1 de junho de 2010
Qual é o segredo?
Tenho tentado, tenho feito um esforço para ser melhor, para me superar e realmente acabo por fazê-lo sem me dar conta. Mas há uma parte de mim que para sempre estará em falta...Tenho o corpo negro, negro de indiferença, mutilado do que nunca chegou a mim...
Porque as pessoas não mudam, apenas arranjam diferentes formas de disfarçar isso, crescem...acumulam idade mas ficam estagnadas!
Apenas quero de novo ser como as crianças que hoje à mihna volta no jardim brincavam, aqueles pequenos seres sociais activos na sua forma tão peculiar, onde tudo se apresenta num pasmo de eterna novidade, para quem o mais pequeno pau no chão eleva castelos de sonho...
Qual é o segredo?
O segredo é a verdade que os Homens há muito perderam nas suas vidas de "crescidos" onde já não conseguem ver o valor das coisas sem as quantificarem, onde antes de se julgarem a si próprios já rotularam os outros, onde se deixou de ter tempo para sair da monótona rotina e conhecer o que quer que seja. Onde se esqueceu que apenas se pode exigir das pessoas aquilo que elas nos podem dar, que é o tempo que perdemos com as pessoas ou coisas que as tornam importantes e que somos eternamente responsáveis por aqueles a quem cativamos...
"-Agora vou-te contar o tal segredo. É muito simples: Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...
- O essencial é invisível para os olhos - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer..."
Porque as pessoas não mudam, apenas arranjam diferentes formas de disfarçar isso, crescem...acumulam idade mas ficam estagnadas!
Apenas quero de novo ser como as crianças que hoje à mihna volta no jardim brincavam, aqueles pequenos seres sociais activos na sua forma tão peculiar, onde tudo se apresenta num pasmo de eterna novidade, para quem o mais pequeno pau no chão eleva castelos de sonho...
Qual é o segredo?
O segredo é a verdade que os Homens há muito perderam nas suas vidas de "crescidos" onde já não conseguem ver o valor das coisas sem as quantificarem, onde antes de se julgarem a si próprios já rotularam os outros, onde se deixou de ter tempo para sair da monótona rotina e conhecer o que quer que seja. Onde se esqueceu que apenas se pode exigir das pessoas aquilo que elas nos podem dar, que é o tempo que perdemos com as pessoas ou coisas que as tornam importantes e que somos eternamente responsáveis por aqueles a quem cativamos...
"-Agora vou-te contar o tal segredo. É muito simples: Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...
- O essencial é invisível para os olhos - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer..."
domingo, 30 de maio de 2010
Tiros no escuro II
Impulsos são tiros no escuro de quem já não consegue conter o que antes de poder ser explicado ou vivido já vence em forma de uma inquietude a transbordar.
Impulsos são surtos de algo acima do possível de controlar, como uma natureza interior a revelar.
Impulsos são a sinceridade em expressão falhada, espelhada num reflexo que não revela da melhor forma o que de mais único e espontâneo carregamos a sós...
Impulsos numa tentativa de libertar pesos que dos contornos inimagináveis que adquirem se tornam impossíveis de acartar, num desespero de quem já não encontra como se expressar.
Impulsos quando o impasse nos envolve na sua paranóia e nos impede de seguir em frente.
Impulsos quando o silêncio se torna insuportável, quando pouco já se sente ter a perder, ainda que assim não seja por completo.
Impulsos que ou nos trazem o tudo ou o nada...
Impulsos de um amor há muito platónico.
Porque tu és inteiro e eu sou desfeita!
(...)
E que olhares são esses afinal?!
São a expressão dos impulsos contidos na transparência do que para mim és...
Impulsos são surtos de algo acima do possível de controlar, como uma natureza interior a revelar.
Impulsos são a sinceridade em expressão falhada, espelhada num reflexo que não revela da melhor forma o que de mais único e espontâneo carregamos a sós...
Impulsos numa tentativa de libertar pesos que dos contornos inimagináveis que adquirem se tornam impossíveis de acartar, num desespero de quem já não encontra como se expressar.
Impulsos quando o impasse nos envolve na sua paranóia e nos impede de seguir em frente.
Impulsos quando o silêncio se torna insuportável, quando pouco já se sente ter a perder, ainda que assim não seja por completo.
Impulsos que ou nos trazem o tudo ou o nada...
Impulsos de um amor há muito platónico.
Porque tu és inteiro e eu sou desfeita!
(...)
E que olhares são esses afinal?!
São a expressão dos impulsos contidos na transparência do que para mim és...
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Tiros no escuro...
Estou farta destas palavras inertes que escrevo, que já de si não se conseguem fazer ouvir, não têm força para chegar a ti, para te levar o que em mim há...
Procurei-te entre a multidão mas não poderei nunca te encontrar até tu de facto quereres ser encontrado...Corres, foges por entre o que tenho para te dar, mas isso não é apenas medo...
E a mim?! A mim não sei o que me faz acreditar independentemente de tudo o que de ti me afasta, será em vão? Procurar-te-ei numa multidão onde todos para ti existem numa realidade a ti possível mas da qual eu não faço parte?
Estou tão farta deste meu papel que não vê reciprocidade alguma. Sinto-me a viver paralelamente a ti e a uma esperança que não sei onde vou buscar, esperança que tu não tens para me dar. O que sou afinal quando me olhas abstraindo-te da multidão?
Cansei-me de tentar ser perfeita neste jogo arriscado onde a tua perfeição à muito se abateu sobre mim e onde ninguém mais a ti se iguala, mas no qual tu não me vez como tal. Eu sairei magoada, começo agora a aperceber-me de que este meu sonho nunca será uma tela de cinema no teu filme que não me deixas protagonizar.
Eu sei, sairei magoada. Eu sei o risco que comporta mas é a única forma de viver a vida na sua totalidade. Quem és tu afinal no meio da multidão? Que significado válido tem esse espaço temporal entre nós? Eu tento ser perfeita mas tu não me vês como tal...
Não quero mais saber, não tentarei mais alcançar a perfeição porque tu nunca a sentirás até me deixares chegar perto...Nunca disse "amo-te" a ninguém ! No meu silêncio perante o teu é o que te digo, de cada vez que nos meus olhos olhas, de cada vez que me sorris, de cada vez que no teu mais pequeno movimento eu o sinto...no meu silêncio. Porque o silêncio é a melhor resposta ou no teu caso o mais conveniente para quem nada tem a dizer!
E se realmente não consegues ignorar esses argumentos supérfluos que a nós se opõem, razões que utilizas para nos afastar, se de facto não vês nem queres ver para além disso, então talvez sejas igual a todos os que a ti na multidão se juntam, talvez não mereças o que estou disposta a dar, talvez nada de especial aja nesse olhar com que me olhas. E ainda me pergunto, que olhar é esse?
Procurei-te entre a multidão mas não poderei nunca te encontrar até tu de facto quereres ser encontrado...Corres, foges por entre o que tenho para te dar, mas isso não é apenas medo...
E a mim?! A mim não sei o que me faz acreditar independentemente de tudo o que de ti me afasta, será em vão? Procurar-te-ei numa multidão onde todos para ti existem numa realidade a ti possível mas da qual eu não faço parte?
Estou tão farta deste meu papel que não vê reciprocidade alguma. Sinto-me a viver paralelamente a ti e a uma esperança que não sei onde vou buscar, esperança que tu não tens para me dar. O que sou afinal quando me olhas abstraindo-te da multidão?
Cansei-me de tentar ser perfeita neste jogo arriscado onde a tua perfeição à muito se abateu sobre mim e onde ninguém mais a ti se iguala, mas no qual tu não me vez como tal. Eu sairei magoada, começo agora a aperceber-me de que este meu sonho nunca será uma tela de cinema no teu filme que não me deixas protagonizar.
Eu sei, sairei magoada. Eu sei o risco que comporta mas é a única forma de viver a vida na sua totalidade. Quem és tu afinal no meio da multidão? Que significado válido tem esse espaço temporal entre nós? Eu tento ser perfeita mas tu não me vês como tal...
Não quero mais saber, não tentarei mais alcançar a perfeição porque tu nunca a sentirás até me deixares chegar perto...Nunca disse "amo-te" a ninguém ! No meu silêncio perante o teu é o que te digo, de cada vez que nos meus olhos olhas, de cada vez que me sorris, de cada vez que no teu mais pequeno movimento eu o sinto...no meu silêncio. Porque o silêncio é a melhor resposta ou no teu caso o mais conveniente para quem nada tem a dizer!
E se realmente não consegues ignorar esses argumentos supérfluos que a nós se opõem, razões que utilizas para nos afastar, se de facto não vês nem queres ver para além disso, então talvez sejas igual a todos os que a ti na multidão se juntam, talvez não mereças o que estou disposta a dar, talvez nada de especial aja nesse olhar com que me olhas. E ainda me pergunto, que olhar é esse?
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Conto II: Solos de Dança
Eram 4h da manhã. Ela acabara de chegar a casa, sentia-se indisposta por isso foi até à casa de banho e esforçou-se por vomitar mas nada se alterou, percebeu que essa má disposição que a incomodava não era algo que pudesse mudar com um simples vómito, revelava algo mais intrínseco...
Foi até ao quarto e abriu a janela na tentativa de sentir a leve brisa da noite, mas nem ai encontrou conforto. Enrolou um cigarro e ficou ali a observar o quadrado de vidas que pelas janelas aos poucos se soltavam. Àquela hora quase não existia realidade que os seus olhos pudessem observar portanto focou-se naquela estranha luz incessante que sempre vermelha piscava. Nunca chegara a saber que luz era aquela. Como era sinistra, pensava.
Compenetrada em toda uma envolvencia deu por si a pensar naquela tarde...
(...)
...em que uma cigana quase forçadamente lhe leu a mão e falou acerca de um moreno de olhos grandes.
Nunca gostara dessas coisas, não encontrava necessidade alguma na previsão do que quer que seja, ainda para mais sempre achou que era exactamente o facto de nos dizerem que determinada coisa irá acontecer que nos leva até ela. Todos temos vários futuros alternativos e um simples virar à esquerda em vez da direita pode determinar o dia e com ele uma vida e um desses futuros.
lembrava-se que depois desse dia e depois de tanto pensar no que lhe havia sido dito ainda teve vontade de lá voltar e perguntar se esse tal moreno de olhos grandes era ele. Esitou durante um tempo mas certo dia fartou-se e apanhou um autocarro...Estava nervosa, não tinha a certeza de querer de facto saber, receava o que lhe poderia ser dito e o impacto que isso poderia ter sobre si.Respirou fundo e enquanto isso ficou a ouvir a conversa das duas mulheres já de idade avançada, sentadas no banco de trás que até então apenas se tinham queixado e falado sobre doenças mas que agora falavam de um certo alguém seu conhecido, escutou.
-Ah está junto com uma mulher que tem idade para ser filha dele!
-Pois, vive com a juventude ao lado não envelhece!
E voltaram a falar de doenças.
Chegou. Saiu do autocarro e foi-se arrastando. Curiosamente apercebeu-se de que simplesmente não queria saber, não fazia sentido. Sorriu e pensou que de facto o silêncio da expectativa é bem melhor. Foi para casa. E nunca mais isso a perturbou...
(...)
Acabou o cigarro, sentia-se bem melhor. A luz continuava incessante.
Pensou nele, desejou que aquelas palavras envoltas no ritmo do Homem dos solos inconfundíveis tivessem sido escritas a pensar em si, mas o mais certo era esse pensamento não ter o menor fundamento. Não ficou triste, sabe que tudo na vida é uma construção. Não gostava da nudez óbvia, mas sim da sugestão do ornamento desconstruído. Não ficou triste, sabe que só aos poucos chegará a ele, porque não, ela não o queria só por uma noite. Passo a passo determinaria o seu dia e com ele uma vida e aquele futuro em que dançaria com o moreno de olhos grandes aquela dança que de tão envolvente reflectiria a construção do que agora é o silêncio tímido dos olhares de quem não sabe dançar!
Fechou a janela. Vestiu aquele vestido. Ai como gostava que ele a visse assim, com aquele vestido num adorno que sugeria a sua nudez, elegante, discreto e sublime.
Sorriu e ao som daquelas ritmos latinos dançou no seu movimento de ancas que a embalavam naquela envolvencia. Dançou solos de dança...dançou!
Foi até ao quarto e abriu a janela na tentativa de sentir a leve brisa da noite, mas nem ai encontrou conforto. Enrolou um cigarro e ficou ali a observar o quadrado de vidas que pelas janelas aos poucos se soltavam. Àquela hora quase não existia realidade que os seus olhos pudessem observar portanto focou-se naquela estranha luz incessante que sempre vermelha piscava. Nunca chegara a saber que luz era aquela. Como era sinistra, pensava.
Compenetrada em toda uma envolvencia deu por si a pensar naquela tarde...
(...)
...em que uma cigana quase forçadamente lhe leu a mão e falou acerca de um moreno de olhos grandes.
Nunca gostara dessas coisas, não encontrava necessidade alguma na previsão do que quer que seja, ainda para mais sempre achou que era exactamente o facto de nos dizerem que determinada coisa irá acontecer que nos leva até ela. Todos temos vários futuros alternativos e um simples virar à esquerda em vez da direita pode determinar o dia e com ele uma vida e um desses futuros.
lembrava-se que depois desse dia e depois de tanto pensar no que lhe havia sido dito ainda teve vontade de lá voltar e perguntar se esse tal moreno de olhos grandes era ele. Esitou durante um tempo mas certo dia fartou-se e apanhou um autocarro...Estava nervosa, não tinha a certeza de querer de facto saber, receava o que lhe poderia ser dito e o impacto que isso poderia ter sobre si.Respirou fundo e enquanto isso ficou a ouvir a conversa das duas mulheres já de idade avançada, sentadas no banco de trás que até então apenas se tinham queixado e falado sobre doenças mas que agora falavam de um certo alguém seu conhecido, escutou.
-Ah está junto com uma mulher que tem idade para ser filha dele!
-Pois, vive com a juventude ao lado não envelhece!
E voltaram a falar de doenças.
Chegou. Saiu do autocarro e foi-se arrastando. Curiosamente apercebeu-se de que simplesmente não queria saber, não fazia sentido. Sorriu e pensou que de facto o silêncio da expectativa é bem melhor. Foi para casa. E nunca mais isso a perturbou...
(...)
Acabou o cigarro, sentia-se bem melhor. A luz continuava incessante.
Pensou nele, desejou que aquelas palavras envoltas no ritmo do Homem dos solos inconfundíveis tivessem sido escritas a pensar em si, mas o mais certo era esse pensamento não ter o menor fundamento. Não ficou triste, sabe que tudo na vida é uma construção. Não gostava da nudez óbvia, mas sim da sugestão do ornamento desconstruído. Não ficou triste, sabe que só aos poucos chegará a ele, porque não, ela não o queria só por uma noite. Passo a passo determinaria o seu dia e com ele uma vida e aquele futuro em que dançaria com o moreno de olhos grandes aquela dança que de tão envolvente reflectiria a construção do que agora é o silêncio tímido dos olhares de quem não sabe dançar!
Fechou a janela. Vestiu aquele vestido. Ai como gostava que ele a visse assim, com aquele vestido num adorno que sugeria a sua nudez, elegante, discreto e sublime.
Sorriu e ao som daquelas ritmos latinos dançou no seu movimento de ancas que a embalavam naquela envolvencia. Dançou solos de dança...dançou!
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Autenticidade(?)
A propósito deste tema da autenticidade irei falar do livro “tradicional” por oposição a um novo conceito de livro, o livro electrónico – e-book.
Há uns tempos vi uma notícia, algures num telejornal, onde se falava acerca das fantásticas aplicabilidades desta nova forma de ler, que na minha opinião não tem nada de fantástico e muito menos de autentico.
Podemos incluir este e-book na categoria das novas tecnologias que caracterizam o Mundo de Hoje, e portanto a contemporaneidade.
Começarei por apresentar as características deste integrante das inovações tecnológicas com base na minha pesquisa on-line. Assim, este novo formato constitui, ao que dizem, “ uma biblioteca de bolso, é pequeno como um livro de bolso, permite transportar entre 1000 e 4000 livros, jornais, documentos de trabalho ou suportes áudio, lê vários formatos, oferece uma autonomia que permite ler até 7000pág. mesmo à luz do sol, sendo ainda possível marcar as suas páginas, ampliar o tamanho do texto, escolher utilizá-lo na vertical ou na horizontal e apresentar imagens. O seu sistema de apresentação à base de tinta electrónica oferece um grande conforto de leitura, comparável à de um livro”.
Comparável à de um livro? Será?
Será em torno desta questão que irei tecer o meu comentário, começando por perguntar até que ponto será legitimo comparar o livro electrónico ao “tradicional”?
Com isto, há que ter em conta que o conceito de autenticidade para além de ser, indubitavelmente um conceito inteiramente relativo é também, a meu ver, um conceito subjectivo, pois está em parte, e não querendo generalizar visto ser óbvio que existem traços que definem uma cultura e a tornam única e autêntica, dependente da opinião de cada individuo dentro da sociedade a que pertence.
Posto isto, o livro é indiscutivelmente algo tradicional, com existência prolongada, não só na nossa cultura, mas em muitas outras. Fazendo parte da História e sendo ele próprio história.
História de Homens que algures no tempo decidiram pegar em pedras que colhiam do chão e rabiscar uns hieróglifos nas cavernas e em outros locais propícios a tal. Que passados largos anos evoluíram, e voltaram a evoluir, e assim mais 4 ou 5 vezes (seguindo-me pelo que a história dita). Passaram por vários processos de moldagem até chegarem ao protótipo do ser humano actual. Durante todos estes anos, descobriram-se formas de fazer o dito papel, tendo como base de criação, as árvores. Começaram então a expressar-se através das folhas de papel e canetas, criando livros, livros esses que se começaram a comercializar.
A sua autenticidade reside, acima de tudo nos sentidos que desperta. Poder tocar num livro, folhear página a página e sentir a textura das folhas ao voltá-las, o cheiro característico de um livro guardado durante anos ou da tinta de um acabado de comprar, sentir que temos um poço de informação nas mãos, poder manuseá-lo à nossa inteira vontade, criar um elo de ligação com cada livro como se fizesse parte de nós e do nada que na subtileza das páginas se vai encaixando. Sensações que apenas o livro propriamente dito pode extrapolar, roubadas, mecanizadas com essa nova forma de ler.
O simples facto de ter os livros com suas capas ilustradas para pegar e esfolhear, para contemplar, coleccionar, sublinhar, para ler e reler, dispor em estantes ou espalhar pelo chão…não é isto de uma extrema autenticidade? Como poderei eu sequer imaginar todos os meus livros atabalhoados em letras dentro de um ecrã que nada me pode transmitir?
A nossa sociedade está perante mais uma transformação em comunicação literária, o novo paraíso das gerações vindouras, onde já não há sentimento pelas boas energias que a capa de um livro nos transmite.
O e-book ainda se encontra numa espécie de limbo, mas o que haverá de autentico nesta tentativa desenfreada de automatização traduzida em chips a colocar no cérebro do Mundo? O que haverá de essencial quando o que existe de verdadeiro for desnecessariamente transformado numa tentativa de acompanhar o frenesim dos tempos?
Eu que sou uma pessoa analógica num Mundo digital espero que se possa encontrar um equilíbrio entre extremos, espero que se mantenham os nossos preciosos livros palpáveis.
Mas de alguma forma verificar-se-á coexistência ou competição com o livro tradicional?
Há uns tempos vi uma notícia, algures num telejornal, onde se falava acerca das fantásticas aplicabilidades desta nova forma de ler, que na minha opinião não tem nada de fantástico e muito menos de autentico.
Podemos incluir este e-book na categoria das novas tecnologias que caracterizam o Mundo de Hoje, e portanto a contemporaneidade.
Começarei por apresentar as características deste integrante das inovações tecnológicas com base na minha pesquisa on-line. Assim, este novo formato constitui, ao que dizem, “ uma biblioteca de bolso, é pequeno como um livro de bolso, permite transportar entre 1000 e 4000 livros, jornais, documentos de trabalho ou suportes áudio, lê vários formatos, oferece uma autonomia que permite ler até 7000pág. mesmo à luz do sol, sendo ainda possível marcar as suas páginas, ampliar o tamanho do texto, escolher utilizá-lo na vertical ou na horizontal e apresentar imagens. O seu sistema de apresentação à base de tinta electrónica oferece um grande conforto de leitura, comparável à de um livro”.
Comparável à de um livro? Será?
Será em torno desta questão que irei tecer o meu comentário, começando por perguntar até que ponto será legitimo comparar o livro electrónico ao “tradicional”?
Com isto, há que ter em conta que o conceito de autenticidade para além de ser, indubitavelmente um conceito inteiramente relativo é também, a meu ver, um conceito subjectivo, pois está em parte, e não querendo generalizar visto ser óbvio que existem traços que definem uma cultura e a tornam única e autêntica, dependente da opinião de cada individuo dentro da sociedade a que pertence.
Posto isto, o livro é indiscutivelmente algo tradicional, com existência prolongada, não só na nossa cultura, mas em muitas outras. Fazendo parte da História e sendo ele próprio história.
História de Homens que algures no tempo decidiram pegar em pedras que colhiam do chão e rabiscar uns hieróglifos nas cavernas e em outros locais propícios a tal. Que passados largos anos evoluíram, e voltaram a evoluir, e assim mais 4 ou 5 vezes (seguindo-me pelo que a história dita). Passaram por vários processos de moldagem até chegarem ao protótipo do ser humano actual. Durante todos estes anos, descobriram-se formas de fazer o dito papel, tendo como base de criação, as árvores. Começaram então a expressar-se através das folhas de papel e canetas, criando livros, livros esses que se começaram a comercializar.
A sua autenticidade reside, acima de tudo nos sentidos que desperta. Poder tocar num livro, folhear página a página e sentir a textura das folhas ao voltá-las, o cheiro característico de um livro guardado durante anos ou da tinta de um acabado de comprar, sentir que temos um poço de informação nas mãos, poder manuseá-lo à nossa inteira vontade, criar um elo de ligação com cada livro como se fizesse parte de nós e do nada que na subtileza das páginas se vai encaixando. Sensações que apenas o livro propriamente dito pode extrapolar, roubadas, mecanizadas com essa nova forma de ler.
O simples facto de ter os livros com suas capas ilustradas para pegar e esfolhear, para contemplar, coleccionar, sublinhar, para ler e reler, dispor em estantes ou espalhar pelo chão…não é isto de uma extrema autenticidade? Como poderei eu sequer imaginar todos os meus livros atabalhoados em letras dentro de um ecrã que nada me pode transmitir?
A nossa sociedade está perante mais uma transformação em comunicação literária, o novo paraíso das gerações vindouras, onde já não há sentimento pelas boas energias que a capa de um livro nos transmite.
O e-book ainda se encontra numa espécie de limbo, mas o que haverá de autentico nesta tentativa desenfreada de automatização traduzida em chips a colocar no cérebro do Mundo? O que haverá de essencial quando o que existe de verdadeiro for desnecessariamente transformado numa tentativa de acompanhar o frenesim dos tempos?
Eu que sou uma pessoa analógica num Mundo digital espero que se possa encontrar um equilíbrio entre extremos, espero que se mantenham os nossos preciosos livros palpáveis.
Mas de alguma forma verificar-se-á coexistência ou competição com o livro tradicional?
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