Aos que não ouvem rock
Aos que não sabem apreciar jazz
Aos que não se rendem ao som de um piano
Aos que nunca cantam sozinhos.
Aos que não lêem
Aos que nunca leram o principezinho
Aos que não entendem Pessoa
Aos que acham que o verdadeiro conhecimento vem nos livros.
Aos que acreditam estar a aproveitar a vida quando nem sabem o que isso é…
Aos que se ocupam para nunca terem tempo de se encontrarem consigo próprios
Aos que pensam que a fé tem necessariamente um Deus
Aos que pensaam que liberdade é poder fazer tudo o que nos apetece
Aos que querem tanto ser diferentes, ou mostrar-se diferentes, que acabam por ser os mais banais
Aos que acreditam ser os detentores da verdade
Aos que não se questionam
Aos que acham ter sempre moral para julgar
Aos que nunca tiveram a liberdade de quebrar as regras
Aos que não olham nos olhos
Aos pais que ignoram o facto de serem pais
Aos que não conseguem ver por detrás da realidade aparente
Aos que se lamentam sem tentar
Aos que nunca param para olhar as estrelas
Aos que pensam que coragem é enfrentar, quando é preciso mais coragem para nada fazer
Aos que nunca se descontrolam e choram e gritam
Aos que se esqueceram do que um dia foram
Aos que nunca ficam estupidamente felizes por nada
Aos que têm vergonha quando caem
Aos que têm a mania da superioridade
Aos fúteis
Aos falsos
Aos cínicos
Aos que vivem de aparências
Aos não-sonhadores
Aos que não dizem “gosto de ti”
Aos que banalizam a palavra “amo-te”
Aos que não acreditam no amor
Aos que não acreditam de todo…
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
sábado, 12 de dezembro de 2009
Desassossegos
" Se eu pudesse trincar a Terra toda e sentir-lhe um paladar, eu seria mais feliz um momento, mas eu nem sempre quero ser feliz, é preciso ser-se infeliz de vez em quando para se poder ser natural..."
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa
sábado, 5 de dezembro de 2009
Em Segredo
Em segredo vou-te observando nas brechas do meu pensamento, como se te estivesse sempre a ver.
Em segredo sorris e dás-me a mão.
Em segredo procuro, num desses teus retratos, um olhar que possa tomar como meu.
Em segredo olho-te enquanto dormes, como se a noite se revelasse sempre serena.
Em segredo escrevo-te nas linhas incertas do meu sonho.
Em segredo acredito...
Em segredo talvez esteja a ficar completamente desfazada da realidade, mas é segredo...
E no meu segredo, a realidade faz-se de sonhos.
Em segredo sorris e dás-me a mão.
Em segredo procuro, num desses teus retratos, um olhar que possa tomar como meu.
Em segredo olho-te enquanto dormes, como se a noite se revelasse sempre serena.
Em segredo escrevo-te nas linhas incertas do meu sonho.
Em segredo acredito...
Em segredo talvez esteja a ficar completamente desfazada da realidade, mas é segredo...
E no meu segredo, a realidade faz-se de sonhos.
domingo, 29 de novembro de 2009
Ups!
Tenho frio, demasiado frio.Há horas que aqui estou (um estar de quem está mas não está) fixada nesta parede disforme e indiferente de mim, onde silênciosamente procuro uma restia de qualquer coisa que queira ser minha, mas toda essa textura de pequenos relevos duvida de mim e afasta-me, como se eu não tivesse já longe demais!
Quero agora alguém, alguém que me arranque este frio, que fique a meu lado. Mas o mundo está tão poluid0 de futilidades, as palavras tão banalizadas que perfiro a companhia falsa que a solidão me oferece....
Ups! entretanto a parede redesenha-se num contorno nitido daquela tarde de mar enquadrado num pormenor tingido a laranja (já tinha saudades). Tentando fazer parte desse quadro (peço desculpa se não consegui ou não quis ser mais abstracta) vou-te contemplando, um pouco ás escondidas. Tens algo de tão raro...
Pareces estar á espera, e esperas há tanto tempo que nem reparas mais que esperas, não pensas que possam já ter reparado que essas rugas são apenas a força vincada do que te distingue...
Mas talvez estejas demasiado longe já, e como eu, talvez sintas demasiado frio...
Talvez...
Mas esses olhares que chocam têm muito mais a dizer...
Quero agora alguém, alguém que me arranque este frio, que fique a meu lado. Mas o mundo está tão poluid0 de futilidades, as palavras tão banalizadas que perfiro a companhia falsa que a solidão me oferece....
Ups! entretanto a parede redesenha-se num contorno nitido daquela tarde de mar enquadrado num pormenor tingido a laranja (já tinha saudades). Tentando fazer parte desse quadro (peço desculpa se não consegui ou não quis ser mais abstracta) vou-te contemplando, um pouco ás escondidas. Tens algo de tão raro...
Pareces estar á espera, e esperas há tanto tempo que nem reparas mais que esperas, não pensas que possam já ter reparado que essas rugas são apenas a força vincada do que te distingue...
Mas talvez estejas demasiado longe já, e como eu, talvez sintas demasiado frio...
Talvez...
Mas esses olhares que chocam têm muito mais a dizer...
sábado, 14 de novembro de 2009
Margem do Sonho
Criatura perdida no medo
Leva tudo de mim
Corta-me os pulsos
Arranca-me a fúria
Leva-me contigo
Lambe os meus pecados
E dá-me o inferno
Toca-me
Venera-me
Inveja-me
Tudo o que quiseres
Leva tudo de mim
Tudo de mim
Esmurra a minha raiva
Deita-me fora
Possui-me
Resgáta-me
Entrega-me
Apaga a minha vida
Esfaqueia os meus sonhos
Penetra a minha alma sangrenta
E leva tudo de mim....
Leva tudo de mim
Corta-me os pulsos
Arranca-me a fúria
Leva-me contigo
Lambe os meus pecados
E dá-me o inferno
Toca-me
Venera-me
Inveja-me
Tudo o que quiseres
Leva tudo de mim
Tudo de mim
Esmurra a minha raiva
Deita-me fora
Possui-me
Resgáta-me
Entrega-me
Apaga a minha vida
Esfaqueia os meus sonhos
Penetra a minha alma sangrenta
E leva tudo de mim....
terça-feira, 3 de novembro de 2009
domingo, 1 de novembro de 2009
Perdida...
O céu está estilhaçado de nuvens alaranjadas sob os olhos atentos de uma lua observadora...
O meu horizonte debruça-se no parapeito de uma janela aberta para o meu céu daqui, este meu céu daqui...
Oço acordes de uma música onde te encontro enquanto vou trocando olhares com a lua na esperança que ela sorria para mim, que me ofereça um reflexo de ti, do teu mundo disperso na multidão desses olhares e silêncios que falas. Onde te perdes e onde estou perdida...
O meu horizonte debruça-se no parapeito de uma janela aberta para o meu céu daqui, este meu céu daqui...
Oço acordes de uma música onde te encontro enquanto vou trocando olhares com a lua na esperança que ela sorria para mim, que me ofereça um reflexo de ti, do teu mundo disperso na multidão desses olhares e silêncios que falas. Onde te perdes e onde estou perdida...
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